segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Pequeno Príncipe

(Trecho de "O Pequeno Príncipe" - de Saint-Exupéry)


Bom dia, disse ele.

—Bom dia, disseram as rosas.
— Quem sois ? perguntou o príncipe
— Somos rosas.

— Ah! exclamou o principezinho...

E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo.

E eis que haviam cinco mil, igualzinhas, num só jardim!

Depois refletiu ainda:

"Eu me julgava rico de uma flor sem igual,

e é apenas uma rosa comum que eu possuo...

Isso não faz de mim um príncipe muito grande...

" E, deitado na relva ele chorou.

Foi então que apareceu a raposa:

—Bom dia, disse a raposa.
— Bom dia, respondeu polidamente o principezinho.
— Quem és tu? Tu és bem bonita...
— Sou uma raposa, disse a raposa.
— Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste.

— Eu não posso brincar contigo, disse ela. Não me cativaram ainda

—Que quer dizer "cativar" ?
— É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
— Criar laços ?

—Tu és ainda para mim um garoto igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim.
Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se
tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim ÚNICO no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
E a raposa continuou:
— Minha vida é monótona. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.

Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música.

E depois, olha!

Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.

Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste!

Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado.

O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti.

E eu amarei o barulho do vento no trigo...

— Por favor... cativa-me! - disse a raposa.

— Bem quisera, disse o principezinho. Mas tenho pouco tempo

e amigos a descobrir e coisas a conhecer.

— A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa.

Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.

Compram tudo pronto na lojas.

Mas como não existem lojas de amigos, eles não têm mais amigos.

Se tu queres um amigo, cativa-me !

— Que é preciso fazer ?

— É preciso ser paciente. Sentarás primeiro longe. Eu te olharei e tu não dirás nada.

A linguagem é fonte de mal-entendidos.

Mas cada dia sentarás mais perto... E virás sempre na mesma hora.

Se tu vens às 4, desde às 3 eu começarei a ser feliz.

Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.

Às 4 horas, então, eu estarei inquieta e agitada:

descobrirei o preço da felicidade.

Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de

preparar o coração...

Assim, o principezinho cativou a raposa.

Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

— Ah! Eu vou chorar.

— A culpa é tua, disse o principezinho. Eu não queria te fazer mal,

mas tu quiseste que eu te cativasse...

— Quis.

— Mas tu vais chorar !

— Vou.

—Então não sais lucrando nada!

—Eu lucro, por causa da cor do trigo.

—Vais rever as rosas e volta. Tu compreenderás que a tua é ÚNICA no mundo.

E ele disse às rosas:

— Vós não sois iguais à minha rosa, vós não sois nada.

— Ninguém vos cativou e nem cativastes ninguém.

—Sois como era a minha raposa, mas eu fiz dela um amigo.

—Agora ela é ÚNICA no mundo.

—Sois belas, mas vazias... A minha rosa sozinha é mais importante que vós todas.

—Foi dela que eu cuidei, ela é a minha rosa!

—Adeus, disse ele.

— Adeus, disse a raposa.

—Eis o meu segredo: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Foi o

tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.

Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

TU ÉS RESPONSÁVEL PELA ROSA...

— Sou responsável pela minha rosa...repetiu ele a fim de se lembrar...


"Tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

sábado, 11 de dezembro de 2010

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
Fernando Pessoa
Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.

Frases de Fernando Pessoa

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa

sábado, 27 de novembro de 2010

A Dança do Ventre é tudo!

Antes de falar sobre a dança do ventre, gostaria de acabar com o preconceito a respeito desta forma bela de arte. É aquela idéia de “dança mais sensual do planeta”. Não que a dança do ventre não seja sensual, mas é que ela não é apenas isso, senão vejamos:
- É uma atividade física completa, perfeitamente adaptada para o corpo da mulher e, que movimenta todos os músculos do corpo, da cabeça até a ponta dos pés;
- É uma atividade terapêutica, já que trabalha o aspecto emocional e com a auto-estima;
- É uma forma de manter a saúde mental, pois desenvolve a memória, a concentração, a imaginação e a criatividade;
- É uma maneira de entreter e alegrar as pessoas, tanto em festas familiar-profissionais, quanto em espetáculos;
- É uma forma de arte, pois permite a dançarina expressar-se e trabalhar com a sua emoção, bem como a emoção do espectador;
- É um resgate histórico-cultural, já que conserva viva a cultura árabe, bem como algumas danças folclóricas árabes;
- É uma forma de auto-conhecimento, físico e emocional;
- E, por último, tem um aspecto místico-religioso, com toda a simbologia espiritual.
À vista do explicado acima, espero que o leitor compreenda o porquê do título – Dança do Ventre é Tudo! Além disso, a dança do ventre é uma modalidade em que sempre há mais por aprender. Depois que a aluna aprende os passos básicos, vêm os intermediários e os acessórios: véu, bengala, espada, etc. É uma evolução, é uma jornada sem fim – mas muito prazerosa.
A origem da dança do ventre é muito antiga, anterior à escrita, por isto é difícil precisar onde e quando surgiu. Os movimentos ondulatórios que devam origem à dança do ventre são uma espécie de glorificação da fertilidade e da procriação. É importante lembrar que, antes de um conceito de um Deus (conceito judaico-cristão), havia a idéia de Deusa – mãe criadora da vida, isto há muito tempo atrás na época das sociedades matriarcais, nesta época surgiu a dança do ventre, provavelmente na civilização suméria.O grande berço da dança do ventre, contudo, é o antigo Egito, com as danças religiosas feitas nos templos pelas sacerdotisas, em honra aos deuses egípcios. Com a conquista do Egito pelos árabes, cerca de 650 d.C., a dança foi incorporada à tradição popular. De lá para cá, a dança do ventre sofreu diversas influências: de ciganos, hindus, beduínos, tuaregues, e até dos russos. Hoje em dia, a dança do ventre é uma fusão de todos esses elementos, e mais alguns. No ocidente, a dança do ventre surgiu em 1893, na Feira Mundial de Chicago, nos Estados Unidos, e foi um escândalo para a época. De lá para cá, a dança do ventre espalhou-se por todo o mundo, e hoje existem excelentes dançarinas em todos os países. Para quem quiser aprofundar-se sobre o assunto, indico:
- BENCARDINI, Patrícia, Dança do Ventre, Editora Novotexto.
- CENCI, Cláudia, A dança da Libertação, Editora Vitória Régia.
- NÍJME ,Ventre que Encanta, Edição do Autor.
- SHÂMS, Mayra, Dança do Ventre e sua Face Terapêutica, Edição do Autor.
Para finalizar, gostaria de mandar, a todos os apreciadores da dança do ventre, muita luz e muita paz. Para as mulheres que estão começando a dançar, um conselho – não desistam!
Texto de Aziza Mahaila.

domingo, 14 de novembro de 2010

Oração do Amanhecer...

ORAÇÃO DO AMANHECER
Senhor,no silêncio deste dia que amanhece,venho pedir-Te a paz, a sabedoria, a força.
Quero olhar o mundo hoje,com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente,
Ver além das aparências Teus filhoscomo tu mesmo os vês,e, assim, não ver senão o bem em cada um,
Cerra os meus ouvidos a toda a calúnia, guarda a minha língua de toda a maldade,Que só de bênçãos se encha o meu espírito.Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos quantos se achegarem a mim, sintam a Tua presença,
Reveste-me de Tua beleza, meu Pai, e que no decurso deste dia, eu Te revele a todos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Vote Dilma 13 para um Brasil mais humano...

Disse Pedro Bial: O Hino Nacional diz em alto e bom tom (ou som, como preferir) que “um filho seu não foge à luta”. Tanto Serra como Dilma eram militantes estudantis, em 1964, quando os militares, teimosos e arrogantes, resolveram dar o mais besta dos golpes militares da desgraçada história brasileira. Com alguns tanques nas ruas, muitas lideranças, covardes, medrosas e incapazes de compreender o momento histórico brasileiro, “colocaram o rabinho entre as pernas” e foram para o Chile, França, Canadá, Holanda. Viveram o status de exilado político durante longos 16 anos, em plena mordomia, inclusive com polpudos salários. Foi nas belas praias do Chile, que José Serra conheceu a sua esposa, Mônica Allende Serra, chilena.Outras lideranças não fugiram da luta e obedeceram ao que está escrito em nosso Hino Nacional. Verdadeiros heróis, que pagaram com suas próprias vidas, sofreram prisões e torturas infindáveis, realizaram lutas corajosas para que, hoje, possamos viver em democracia plena, votar livremente, ter liberdade de imprensa.Nesse grupo está Dilma Rousseff. Uma lutadora, fiel guerreira da solidariedade e da democracia. Foi presa e torturada. Não matou ninguém, ao contrário do que informa vários e-mails clandestinos que circulam Brasil afora. Não sou partidário nem filiado a partido político. Mas sou eleitor. Somente por estes fatos, José Serra fujão, e Dilma Rousseff guerreira, já me bastam para definir o voto na eleição presidencial de 2010. Detesto fujões, detesto covardes!

sábado, 16 de outubro de 2010

Desejos...

DesejoDesejo primeiro que você ame,E que amando, também seja amado.E que se não for, seja breve em esquecer.E que esquecendo, não guarde mágoa.Desejo, pois, que não seja assimMas se for, saiba ser sem se desesperarDesejo também que tenha amigosQue mesmo maus e inconseqüentesSejam corajosos e fiéisE que pelo menos em um delesVocê possa confiar sem duvidarE porque a vida é assimDesejo ainda que você tenha inimigosNem muitos, nem poucosMas na medida exata para queAlgumas vezes você se interpeleA respeito de suas próprias certezas.E que entre elesHaja pelo menos um que seja justoDesejo depois, que você seja útilMas não insubstituívelE que nos maus momentosQuando não restar mais nadaEssa utilidade seja suficientePara manter você de pé.Desejo ainda que você seja toleranteNão com os que erram poucoPorque isso é fácilMas com os que erram muito e irremediavelmenteE que fazendo bom uso dessa tolerânciaVocê sirva de exemplo aos outrosDesejo que você, sendo jovem,Não amadureça depressa demaisE que sendo maduroNão insista em rejuvenescerE que sendo velhoNão se dedique ao desesperoPorque cada idade tem o seu prazer e a sua dorDesejo, por sinal, que você seja tristeNão o ano todo, mas apenas um diaMas que nesse diaDescubra que o riso diário é bomO riso habitual é insossoE o riso constante é insano.Desejo que você descubraCom o máximo de urgênciaAcima e a respeito de tudoQue existem oprimidos, injustiçados e infelizesE que estão bem à sua voltaDesejo aindaQue você afague um gato, alimente um cucoE ouça o joão-de-barroErguer triunfante o seu canto matinalPorque assim, você se sentirá bem por nadaDesejo tambémQue você plante uma semente, por menor que sejaE acompanhe o seu crescimentoPara que você saibaDe quantas muitas vidas é feita uma árvoreDesejo, outrossim, que você tenha dinheiroPorque é preciso ser práticoE que pelo menos uma vez por anoColoque um pouco dele na sua frente e diga:"Isso é meu"Só para que fique bem claroQuem é o dono de quemDesejo tambémQue nenhum de seus afetos morraPor eles e por vocêMas que se morrerVocê possa chorar sem se lamentarE sofrer sem se culparDesejo por fimQue você sendo homem, tenha uma boa mulherE que sendo mulher, tenha um bom homemQue se amem hoje, amanhã e nos dias seguintesE quando estiverem exaustos e sorridentesAinda haja amor pra recomeçarE se tudo isso acontecerNão tenho mais nada a lhe desejarVictor Hugo

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O PINTASSILGO E AS RÃS - Rubem Alves

Num lugar muito longe daqui, havia um poço fundo, abandonado e escuro que alguém cavara, muitos e muitos anos atrás, não se sabe bem para que. Lá dentro se alojou um bando de rãs. As primeiras a entrar pensaram que aquele era um local bom de se viver, protegido, úmido, gostoso. De um pulo caíam lá dentro. Só que não perceberam que pular no buraco é fácil. O difícil é pular para fora dele. O poço era fundo demais e elas nunca mais puderam sair. Ficaram vivendo lá dentro. Casaram-se; tiveram filhos, multiplicaram-se. As mais velhas ainda se lembravam da beleza do mundo de fora e morriam de saudades. Contavam estórias para seus filhos e netos.-- Quando eu era jovem, e ainda não tinha caído neste buraco... Era assim que sempre começavam. A princípio, a meninada parava para ouvir e gostava. "Estórias da carochinha", eles diziam. O fato é que nunca haviam estado do lado de fora, e pensavam que as tais estórias não passavam de invenções de seus avós já caducos. O tempo passou, os velhos morreram, e até mesmo essas estórias foram esquecidas. As novas gerações foram educadas segundo novos princípios pedagógicos, currículos adequados à realidade, o que importa é passar no vestibular, e acabaram por acreditar que o seu buraco era tudo o que existe no universo. Isto era cientifico, resultado da rigorosa análise material do seu mundo. O real era um cilindro oco e profundo, onde a água, a terra e o ar se combinavam para formar tudo o que existia. As rãzinhas aprendiam que o seu era o melhor dos mundos e, na escola, aprendiam a recitar:"Rãzinha, não verás buraco algum como esteAma, com orgulho, o buraco em que nasceste..."A vida, lá dentro, era como a vida em todo lugar. Havia as rãs fortes e truculentas. Elas mandavam nas outras que eram fracas e tinham de obedecer e trabalhar dobrado. Os insetos mais gostosos iam sempre para as mais fortes. As rãs oprimidas achavam, com toda a razão, que isto era uma injustiça. E, por isso mesmo, preparavam-se para uma grande revolução que poria fim a esse estado de coisas. Quando a classe dominante fosse derrubada, a vida no fundo do poço ficaria democrática e os insetos seriam distribuídos com justiça...Se o buraco não era tão bom quanto cantava a poesia (assim diziam os ideólogos da revolução), era porque ele estava dominado pelas rãs fortes...Aconteceu, entretanto, que um pintassilgo que voava por ali viu a boca do poço. Ficou curioso e resolveu investigar. Baixou o vôo e entrou nas profundezas. Qual não foi a sua surpresa ao descobrir as rãs! Mas mais perplexas ficaram elas ante a presença daquela estranha criatura. A simples presença do pintassilgo punha em questão todas as teorias sobre o mundo, pois que dele não havia registro algum em seus arquivos históricos. O pintassilgo morreu de dó ao ver as pobres rãs, prisioneiras daquele buraco fétido e escuro, sem nada saber do lindo mundo que havia fora do poço. Como é que elas podiam viver ali dentro, sem nunca pensar em sair? Claro que para se planejar sair é preciso acreditar que existe um "lá fora". Mas as rãs sabiam que um "lá fora" não existia, pois os limites do seu buraco eram os limites do universo.O pintassilgo resolveu contar-lhes como era o mundo de fora. E se pôs a cantar furiosamente. Queria ajudar as pobres rãs...Trinou flores, campos verdes, riachos cristalinos, lagoas, insetos de todos os tipos, sapos de outras raças e outros coaxares, bichos os mais variados, o sol, a lua, as estrelas, as nuvens.As rãs ficaram em polvorosa e logo se dividiram.Algumas acreditaram e começaram a imaginar como seria lá fora. Ficaram mais alegres e até mesmo mais bonitas. Coaxaram canções novas. E começaram a fazer planos para a fuga do poço. Desinteressaram-se das esperanças políticas antigas.-- Não, não queremos democratizar o fundo do poço. Queremos é sair dele... Preferimos ser gente simples lá fora, onde tudo é bonito, a ser elite dominando aqui dentro, onde tudo é escuro e fedido...As outras fecharam a cara e coaxaram mais grosso ainda. Não acreditaram...O pintassilgo resolveu, então, trazer provas do que dizia. Chamou abe-lhas, com mel. Convidou borboletas coloridas. Trouxe flores perfumadas...Mas tudo foi inútil para os que não queriam acreditar.-- Este bicho é um grande enganador, eles diziam. Sabemos que estas coisas não existem. Aprendemos em nossas escolas...O rei reuniu seus generais e ponderou que as idéias do pintassilgo eram politicamente perigosas. As rãs estavam perdendo o interesse pelo trabalho. Produziam menos. Com isto havia menos recursos para as despesas do Estado, especialmente uma ferrovia que se pretendia construir, ligando um lado do poço ao outro. Trabalhavam menos, coaxavam mais. Claro que as palavras do pintassilgo só podiam ser mentiras deslavadas, intrigas de oposição...Os revolucionários, igualmente, puseram o pintassilgo de quarentena, pois o seu canto enfraquecia politicamente as rãs dominadas, que agora estavam mais interessadas em sair que em revolucionar o poço.As rãs intelectuais, por sua vez, se puseram a fazer a análise filosófica, ideológica e psicanalítica da fala do pintassilgo. O seu relatório foi longo. Nele concluíram que:de um ponto de vista filosófico, faltava rigor ao discurso do pássaro, pois ele mais se aproximava da poesia que da ciência;de um ponto de vista ideológico, tratava-se de um discurso alienado, no qual não se fazia nem mesmo uma análise crítica das condições objetivas da sociedade ranal;de um ponto de vista psicanalítico, era óbvio que o pintassilgo sofria de perigosas alucinações que, dado o seu conteúdo, poderiam se transformar num fenômeno de massas.Observaram, finalmente, que dadas as evidências, o pintassilgo se constituía num grave perigo tanto para a cultura como para as instituições do mundo das rãs. E com isto pediam das pessoas de boa vontade e responsabilidade as providências devidas para erradicar o mal.O manifesto das rãs foi acolhido unanimemente tanto pelos líderes da direita como pelos líderes da esquerda pois, para além de suas discordâncias conjunturais, estava seu compromisso comum com o bem-estar e a tranquilidade da família ranal.Por ocasião da próxima visita do pintassilgo, ele foi preso, acusado de enganador do povo, morto, empalhado e exposto no Museu de História.Quanto às rãs, foram para sempre proibidas de coaxar as canções que o pintassilgo lhes ensinara.Um aluninho-rã, que visitava o museu, perguntou à sua professora:-- Que é aquilo, professora?-- É um pintassilgo, ela respondeu.-- E que coisas estranhas são aquelas nas suas costas?, ele perguntou. -- São asas...-- E para que servem?, ele insistiu.-- Para voar...-- E nós voamos?-- Não, respondeu a professora. Nós não voamos. Nós pulamos...
E não seria melhor voar?A professora compreendeu então, com um discreto sorriso, que um pintassilgo, mesmo empalhado, nunca seria esquecido.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nem Luxo, Nem Lixo...

Como vai você?Assim como euUma pessoa comumUm filho de DeusNessa canoa furadaRemando contra a maréNão acredito em nadaSó não duvido da fé...
E como vai você?Assim como euUma pessoa comumUm filho de DeusNessa canoa furadaRemando contra a maréNão acredito em nadaNão!Até duvido da fé...
Não quero luxo nem lixoMeu sonho é ser imortalMeu amor!Não quero luxo nem lixoQuero saúde prá gozar no finalLuxo! Lixo!Meu sonho é ser imortalMeu amor!Não quero luxo nem lixoQuero saúde prá gozar no final...
Não quero luxo nem lixoMeu sonho é ser imortalMeu amor!Não quero luxo nem lixoQuero saúde prá gozar no finalLuxo! Lixo!Meu sonho é ser imortalMeu amor!Luxo nem lixoQuero saúde prá gozar no final...
E como vai você?

domingo, 29 de agosto de 2010

Quando Eu Estiver Com Sessenta E Quatro...

When I'm Sixty-Four
When I get older losing my hair,
Many years from now.
Will you still be sending me a Valentine.
Birthday greetings bottle of wine.
If I'd been out till quarter to three.
Would you lock the door.
Will you still need me, will you still feed me,
When i'm sixty-four.
You'll be older too,
And if you say the word,
I could stay with you.
I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone.
You can knit a sweater by the fireside
Sunday morning go for a ride,
Doing the garden, digging the weeds,
Who could ask for more?
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four.
Every summer we can rent a cottage,
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera, Chuck and Dave
Send me a postcard, drop me a line,
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four?
Quando Eu Estiver Com Sessenta E Quatro
Quando eu ficar mais velho, perdendo meus cabelos
Muitos anos adiante
Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados
Saudações no aniversário, garrafa de vinho?
Se eu estiver fora até quinze pras três
Irá trancar a porta?
Você ainda irá precisar de mim, ainda irá me alimentar
Quando eu estiver com sessenta e quatro?
Você estará mais velha também
E se você disser a palavra
Eu poderia ficar com você
Eu posso ser útil, concertando um fusível
Quando suas luzes apagarem
Você poderia me tricotar um suéter perto da lareira
Nas manhãs de domingo iremos dar uma volta
Fazendo o jardim, cavando a erva daninha
Quem poderia pedir por mais?
Você ainda irá precisar de mim, ainda irá me alimentar
Quando eu estiver com sessenta e quatro?
Todo verão poderiamos alugar uma cabana
Na Ilha de Wight, se não for caro demais querida
Iríamos pechinchar e economizar
Netos no joelho
Vera, Chuck & Dave
Mande-me um cartão postal, me manda um telegrafama
Informando o ponto de vista
Indique precisamente o que quer dizer
Estás sinceramente, se desperdiçando
Me dê uma resposta, preenche um formulário
Minha para todo o sempre
Você ainda irá precisar de mim, ainda irá me alimentar
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Aprendi que a Vida é bela e deve ser Vivida Intensamente...

"Aprendi que se aprende errando...Que crescer não significa fazer aniversário...Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem...Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro...Que amigos a gente conquista mostrando o que realmente somos...Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim...Que a maldade se esconde atrás de uma bela face...Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela...Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada...Que a natureza é a coisa mais bela na Vida...Que Amar significa se dar por inteiro...Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos...Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde...Que dar carinho também faz...Que sonhar é preciso...Que se deve ser criança a vida toda...Que nosso ser é livre.Que Deus não proibe nada em nome do amor.Que o julgamento alheio não é importante, quando se tem a consiencia tranquila....Que o que realmente importa é a Paz interior.E finalmente.Poder olhar para trás... e ver que tudo valeu a pena....
"Somos o que fazemos de nós.Estamos onde nos colocamos.Somos o capitão do barco do nosso destino.Dirigimos nossa vida pelas nossas atitudes.Criamos atitudes com aquilo que escolhemos acreditar.E crenças a genti muda quando quer."

domingo, 15 de agosto de 2010

QUEM ESTÁ NO CONTROLE? EU ou O OUTRO?

Talvez a pior presença na vida seja o outro! Se não houvesse o outro não teríamos consciência da gente. O outro contrasta conosco e começamos a perceber a nossa individualidade! Como diz uma das sentenças da Psicanálise: "O outro me revela".
Uma mensagem que traz um misto de nulidade e sarcasmo é a de que o outro é quem está mais na nossa cabeça que nós mesmos! E isto nem sempre condiz com a realidade. É a concepção da nossa mente... e, de repente, o centro não é mais eu... é o OUTRO...
O medo do outro é aprendido - é colocado pela nossa cultura - vai sendo lenta, mas, inexoravelmente, impregnado em nossa estrutura psicológica - vamos entrando na jogada dos outros para eles não “machucarem” a gente.
E, como não somos uma sociedade preparada para a verdade, para o confronto, fomos condicionados a temer, a nos segurar para "não pegar mal"... Como você vai se soltar se tem todo mundo te olhando pronto pra te mandar uma flechada, uma crítica? A sociedade impõe o que é "normal" e ai de v0cê se não se encaixar! Muitos que leem este texto se acham no direito de alguma forma punir quem não fizer conforme os padrões convencionais... Aprendemos desde muito cedo a não se mostrar... até a negar/mentir se possível for!
Muito do que as pessoas fazem ou deixam de fazer, por detrás, HÁ MEDO!!! No íntimo, dizem: "vou fazer ou deixar de fazer para os outros me aplaudirem ou para os outros não me acabarem"... Tememos o outro e suas críticas!!!
É até interessante salientar que uma das máximas da Psicologia é: a gente só critica o que a gente tem como defeito. Estamos insatisfeitos com a gente, aí metemos o pau nos outros e isso nos dá a falsa impressão de que estamos fazendo algo por alguém... Inclusive nos sentimos superiores quando metemos o pau nos outros. É uma sensação orgasmática-ejaculativa: uma delícia!!!
Só que, “com quem ferro fere…”
E porque a crítica, o criticismo dos outros é ou parece tão perigoso para nós?
Pode ser que se refira à VERDADE mesmo; pode ser o fato de não sermos bons o bastante... mas, creio que o principal motivo é O DESEJO DE SER APROVADO PELO OUTRO - Isso é o que importa: Esperar a aceitação e a aprovação do outro.... Esperar que o outro supra a nossa necessidade de aprovação... Portanto, escolhemos o outro como responsável pelas nossas necessidades... COMO SOMOS DOMINADOS PELO OUTRO!!!
E é um paradoxo horrível: Quanto mais eu busco a aprovação dos outros, mais exposto eu fico às suas flechadas - torno-me um ser vulnerável, fragilizado! E quando estou assim vulnerável, o que é que eu vou fazer? Resposta: O que fizemos desde criança - tentar seduzir os outros! Fazemos personagens, atuações, malabarismos sociais...
Se eu sou dependente e estou no perigo de ser rejeitado por alguém, eu vou fazer alguma coisa para não ser rejeitado! Vou me comportar de uma forma que vai seduzir o outro e fazê-lo ficar legalzinho comigo... Com isso, eu me defendo...
Neste particular, quais as armas muito utilizadas para a defesa? Cito duas:
1 - CHANTAGEM - a pessoa se faz de boazinha (inclusive as pessoas que usam isso são muito usáveis) tem que agradar sempre, não pode dizer não, tem que sempre ceder...
O chantagista, especialmente se está numa posição de liderança, ameaça revelar coisas ou informações, ou ainda, não dar a oportunidade que a pessoa tanto quer, a não ser que o(a) ameaçado(a) cumpra as exigências feitas. E só existe um chantagista quando há um generoso que vive dominado pelo sentimento de culpa e, portanto, é conivente com a atitude do outro. Aqui, nesse ponto, vai até uma dica: Para identificar se você é vítima de alguma chantagem, fique atento à sensação que ela causou: se de cobrança ou de culpa.
Há pessoas hábeis em manipular usando esse artifício. São aquelas com uma sensibilidade aguçada, que conseguem identificar os pontos fracos dos outros com facilidade. Então elas, para conseguir o que querem, se utilizam desses pontos fracos, manipulando. E a vítima se sente impelida a fazer o que se pede, pois não quer se sentir culpada ou cobrada.
2 - AUTOVITIMIZAÇÃO - A autovitimização é cômoda e agradável. A pessoa que se vitimiza, localiza-se num espaço imaginário que lhe confere automaticamente "a razão" e as considerações incondicionais de outras pessoas.
A vítima não quer assumir as responsabilidades. Na verdade, NÃO ser a vítima já nos tira da condição privilegiada da proteção do outro, criando uma série de questões para que o outro faça uma coisa por nós, nos proteja, etc. Já vi caras chegarem com o braço enfaixado no trabalho (mas não quebrou nada não!) - apenas um malabarismo da autovitimização para safar-se - proteção contra uma condenação, uma punição, um comentário maldoso ou infame do colega que ameaça a "credibilidade"... Vi a essência desse espírito se manifestar centenas de vezes nos templos religiosos!
Os líderes eclesiásticos fazem as pessoas trabalharem para eles - é só colocar um pouco de culpa! E a consciência das massas diz a elas: "Vai lá e faz o que o cara quer - seja um bom cristão!"A autopreservação é muito forte!
E tem gente que ainda diz: “Eu não ligo para os outros”. Só que isso é o que pintam na tela do seu enganoso coração - não é o ato cotidiano! A realidade é que se importam SIM!!!
E, aí, as primeiras necessidades não são as nossas - são as dos outros. E O PROBLEMA É QUE ESTES OUTROS SÃO MANIPULADORES...
Portanto, minha conclusão é:
Só conseguimos ser autênticos quando estamos seguros em nós e não nos outros - nesse caso, a segurança está garantida de uma forma diferente! Se eu me aprovo e estou seguro em minha aprovação, já não preciso mais do reconhecimento do outro me segurando na sua onda - o que o outro faz, ou diz, ou olha, ou critica já não tem mais um peso aprisionante para mim, não me afeta porque eu tenho a mim mesmo como o mais importante!!! Portanto, não preciso mais da cobrança, da vergonha e nem da culpa.
Não é isso um aspecto maravilhoso da liberdade em Cristo?
JCX

ALÉM DA IMAGINAÇÃO...

ALÉM DA IMAGINAÇÃO
Da mais densa inspiração vem tua luz
Adornando momentos, excitas a paz
Saciando sedentos, cobrindo nus
Em Ti o clímax da emoção não se desfaz
Tal “Fênix imortal” voaste no tempo e na História
E o oculto foi iluminando como a luz no zênite
Na terra ou no céu visível é a tua glória
Ao ataque da solidão, és proteção reluzente
Caminho a trilhar, coração a correr ao perfeito som
Suor pelo desejo, conquista pelo ritual
Consciência no ar, com a verdade e prazer no mesmo tom
Saber para o manejo e alcançar o essencial
MÚSICA, IMENSO UNIVERSO
MISTÉRIO, ENCANTO, SEDUÇÃO
MÚSICA, GLORIOSO UNIVERSO
ESTÁ ALÉM DA IMAGINAÇÃO
Somos gotas de água no oceano da tua eternidade
Lucidez refletida nos quatros cantos da terra
Na rude palhoça ou no intelecto da urbanidade
Ouve-se tua voz decisiva como um grito de guerra
Infinitude sublime onde o limite é inteiramente abolido
Onde a virtude e perfeição resplandecem simultaneamente
Há alegria real no sorriso do faminto servido
E a simetria das raças é vista perceptivelmente
Composição: Josué C. Xavier






A IMPRESCINDIBILIDADE DA LEITURA...

TEXTO 1 – O ATO DE LER
Poucos brasileiros entendem o que lêem. Não passam de 25% segundo pesquisa recente do Ibope. Vale dizer que a maioria da população mantém-se nos limites de uma deficiência instrumental que torna sombrio o prognóstico quanto ao futuro da nação.
A leitura é um dos últimos recantos da liberdade intelectual. Quem lê cria tanto ou mais que o autor. Com a imaginação solta, o leitor elabora mentalmente os cenários, compõe o perfil das personagens, interpreta diálogos, identifica afinidades pessoais e vive, a seu modo, o prazer e a infinitude das emoções potencialmente contidas no texto.
Quem lê não recebe imagens prontas, coloridas, acabadas. Tem de construí-las pelo processo do entendimento e interpretação. Suas emoções não são pautadas pelas vinhetas da mídia eletrônica que padronizam as emoções do telespectador sempre passivo, para modelar a opinião pública que interessa aos produtores. O leitor nunca é passivo. Exercita, o tempo todo, os mecanismos psicodinâmicos que fundamentam, estruturam e aperfeiçoam a consciência. Por isso, desenvolve a criatividade, refina a percepção, aprimora o senso crítico e fica imune às manipulações que a comunicação pela imagem veicula como ingredientes de dominação.
A leitura é problematizadora, induz a reflexão, suscita hipóteses, faz pensar. Já a comunicação pela imagem, ao ser utilizada como ferramenta de controle da opinião pública, é a negação do pensamento. Não passa de show visual cheio de efeitos especiais que despertam a sensação do fantástico, do extraordinário, do instantâneo e promovem a preguiça mental do expectador por meio do deslumbramento programado. E o deslumbrado não pensa, admira. Não critica, assimila. Não forma sua opinião, repete a que recebe. Não reage, absorve. Não cria, consome. Não resiste, deixa-se aculturar. Não se afirma, submete-se.
Não por acaso, as sociedades menos desenvolvidas e mais dominadas são justamente as que menos lêem. São aquelas que admitem o analfabetismo com naturalidade, se é que suas elites não o perpetuam deliberadamente. Aliás, um dos indicadores de desenvolvimento usados na atualidade é o número de televisores difundidos pelo país. Não é o número de livros publicados ou lidos pelo cidadão. Os grupos dominantes sabem muito bem que a palavra escrita é incontrolável e portanto libertadora, enquanto a imagem pode ser “ cientificamente” editada para inibir a liberdade de pensamento. Nesse sentido, a palavra pertence à sintaxe da revolução, enquanto a imagem é a fonte da ilusão conservadora.
A Santa Inquisição não queimava apenas as bruxas e os hereges. Incinerava montanhas de livros em praça pública para que não fossem lidos. Da mesma forma, em nosso país, agentes dos governos militares invadiam casas de “subversivos”, apreendiam e destruíam livros cujos títulos e autores integravam a lista dos proscritos do regime. Os jornais escritos foram duramente censurados, quando não empastelados. Em vez de criarem escolas para alfabetização e estímulo à leitura, optaram pela rede de televisão concebida como monopólio destinado a subjugar o povo, impondo-lhe novos padrões de consumo e dependência externa.
Nos primeiros momentos, houve necessidade de recurso às tropas para sufocar a resistência das gerações ainda formadas pela leitura. Mas, com o passar dos anos, a estratégia de controle pela mídia eletrônica produziu os resultados projetados. As gerações educadas pelos shows domingueiros e pela Xuxa de todas as manhãs foram se distanciando do hábito de ler e se desinteressando da palavra, do pensamento crítico, do vernáculo. A invasão cultural não tardou a nos americanizar, transformando-nos em consumidores da Disney, da violência enlatada, ou dos Big-Macs que já têm o sabor dos novos tempos.
A comunicação pela imagem eletrônica é a tropa de ocupação dos tempos modernos. Sua eficiência é indiscutível. O império mais violento da história da humanidade é mantido e ampliado por meio das imagens cuidadosamente montadas que nos chegam via satélite. O último recanto da liberdade intelectual vai sendo assim tomado de assalto pela ditadura eletrônica. O pensamento humano tornou-se prisioneiro de telas e cabos. Contudo, nos piores momentos de repressão, nunca se deixou de escrever e ler. Ainda que clandestinamente. E foi, quase sempre, na clandestinidade que se produziram os textos e leituras que transformaram a história do homem.
O escritor e o leitor dos dias atuais não são espécies em extinção, mas militantes da resistência libertária empurrados para a clandestinidade. Vivem nas catacumbas do atual império, mantendo, com a palavra escrita e a leitura, a réstia de luz transformadora que emana do ato de pensar para iluminar os rumos do futuro.
Artigo publicado no Correio Braziliense 24/09/2003 por Dioclécio Campos Júnior.
TEXTO 2 - "LEITURA, PRA QUE TE QUERO"
A leitura tornou-se uma obrigação no mundo pós-moderno. Ler jornal para nos mantermos informados dos acontecimentos da nossa cidade, do nosso país, do mundo... Ler obras técnico-científicas para adquirirmos conhecimento... Ler romances para nos distrairmos... Ler literatura de auto-ajuda para sermos bem sucedidos... Afinal, ler pra quê?
Essa pergunta, aparentemente simples, engloba uma série de fatores, incluindo o próprio conceito de leitura, que não é único nem definitivo: modifica-se através dos tempos, acompanhando as alterações do mundo. Chartier comenta que a invenção da imprensa, no século XV, transformou profundamente a reprodução de textos e a produção de livros, mas a revolução eletrônica, a que hoje assistimos, introduz modificações bem mais profundas. Essas modificações abrangem não apenas as formas e a materialidade do suporte, mas também a própria prática da leitura.
Essas transformações revolucionárias da ciência e da técnica, incorporadas ao nosso cotidiano, colocam-nos diante de um mundo novo, onde tudo é transitório e relativo, e exige do homem a busca de soluções originais e eficazes para seus problemas. Esse novo homem __ o “homem-massa”, dizem alguns __ tem novas necessidades e novos desejos. E, nesse contexto, a leitura não pode ser reduzida à mera decodificação de sinais, vinculada à alfabetização (aprender a ler e escrever). Antes deve ser entendida como “atribuição de sentidos”, podendo, inclusive, significar “concepção”, posição defendida por Paulo Freire, ao discutir a necessidade da “leitura de mundo” preceder a “leitura das palavras”.
Nessa perspectiva, somos levados a refletir sobre a emergência dos inumeráveis analfabetos, mas não no sentido de “iletrados”. Estes têm diminuído sensivelmente, graças a programas educacionais extensivos à grande maioria da população. O mundo pós-moderno originou outros tipos de analfabetos: o analfabeto digital, o analfabeto funcional, o analfabeto psicológico...
O primeiro diz respeito ao indivíduo que desconhece as técnicas da informática, o que poderá excluí-lo da leitura digital e, conseqüentemente, impedi-lo do acesso às informações veiculadas nesse poderoso veículo de comunicação e informação, que é a Internet.
Já o segundo, o analfabeto funcional, refere-se àqueles que, tendo passado pela fase da alfabetização propriamente dita, não encontram dificuldade para decodificar os signos lingüísticos, mas são incapazes de estabelecer relações de sentido. É bom lembrar que, ao contrário do que muitos supõem, o analfabeto funcional não é exclusividade do Brasil. Saramago, em entrevista pela televisão, mostrou-se preocupado com sua presença na Europa e até mesmo nos Estados Unidos.
O analfabeto psicológico __ talvez o mais grave __ é apontado por Mills como o homem-massa, originário da cultura de massa, voltada às leis do mercado, ou seja, ao lucro imediato. Uma sociedade que vende cultura e para isso precisa agradar o consumidor, seduzi-lo, poupando-lhe o esforço de pensar. Apresenta-lhe tudo pronto para ser consumido, sem exigir-lhe nenhum esforço físico e muito menos intelectual. Cuidando apenas do espectador médio, do ouvinte médio, do leitor médio, oferece-lhe produtos culturais médios... Não há estímulo à sensibilidade, à imaginação, à reflexão e à crítica. Não há descoberta, criatividade, liberdade... Apenas alienação!
Contra tudo isso, a leitura será nosso poderoso aliado, desde que, como mediadores que somos, propiciemos oportunidades para a leitura de diferentes textos, quanto a gênero, suporte, época... Ler sem nenhum tipo de preconceito. Ler para conhecermos melhor a realidade, ler para caminharmos por nossos próprios pés, seguindo nossa própria cabeça! Ler para sermos livres!...
Ler é essencial. Através da leitura, testamos os nossos próprios valores e nossas experiências com as dos outros. No final de cada livro, ficamos enriquecidos com novas experiências, novas idéias, novas pessoas. Eventualmente, ficamos a conhecer melhor o mundo e um pouco melhor de nós próprios.
Ler é estimulante. Tal como as pessoas, os livros podem ser intrigantes, melancólicos, assustadores, e por vezes, complicados. Os livros partilham sentimentos e pensamentos, feitios e interesses. Os livros colocam-nos em outros tempos, outros lugares, outras culturas. Os livros colocam-nos em situações e dilemas que nós nunca poderíamos imaginar que encontrássemos. Os livros ajudam-nos a sonhar, fazem-nos pensar.
NADA DESENVOLVE MAIS A CAPACIDADE VERBAL QUE A LEITURA DE LIVROS. Na escola aprendemos gramática e vocabulário. Contudo, essa aprendizagem nada é comparada com o que se pode absorver de forma natural e sem custo através da leitura regular de livros.
Alguns livros são simplesmente melhores que outros. Alguns autores vêem com mais profundidade o interior de personagens estranhas, e descrevem o que eles vêem e sentem de uma forma mais real e efetiva. As suas obras podem exigir mais dos leitores: consciência das coisas implicadas em vez de meramente descritas, sensibilidade às nuances da linguagem, paciência com situações ambíguas e personagens complicadas, vontade de pensar mais profundamente sobre determinados assuntos. Mas esse esforço vale a pena, pois estes autores podem proporcionar-nos aventuras que ficam na nossa memória para toda a vida.
Relativamente aos escritores em si, é difícil muitas vezes começar a ler livros de um novo escritor, o que nos leva a desistir ao fim de poucas páginas.
É essencial perseverar. A maioria da boa escrita é multifacetada e complexa. É precisamente essa diversidade e complexidade que faz da literatura uma atividade recompensatória e estimulante.
Muitas vezes um livro tem que ser lido mais de uma vez e com abordagens diferentes. Estas abordagens podem incluir: uma primeira leitura superficial e relaxada para ficar com as principais idéias e narrativa; uma leitura mais lenta e detalhada, focando as nuances do texto, concentrando-nos no que nos parece ser as passagens chave; e ler o texto de forma aleatória, andando para trás e para frente através do texto para examinar características particulares tais como temas, narrativa, e caracterização dos personagens.Todo o leitor tem a sua abordagem individual, mas o melhor método, sem dúvida, de extrair o máximo de um livro é lê-lo várias vezes.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Oito benefícios do sexo para a saúde

Vida sexual ativa alivia dores, melhora o sono e estimula a longevidade

Por Minha Vida

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Que o sexo te faz bem, isso você já notou. O orgasmo, por exemplo, é uma das sensações mais íntimas e deliciosas para homens e mulheres e é muito mais do que sinal do sucesso de uma relação sexual. A cada dia, os cientistas descobrem novos efeitos desta reação orgânica que, além de melhorar as emoções, faz muito pela sua saúde. "O orgasmo contribui para que homens e mulheres vivam com mais qualidade, trata-se de um momento de prazer que reverbera por vários dias", afirma o ginecologista Neucenir Gallani, da clínica SYMCO.

Porém, apesar de proporcionar prazer e qualidade de vida, uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que 70 % dos brasileiros fazem menos sexo do que declaram em conversas e pesquisas públicas. Por isso, o Minha Vida estimula você a melhorar essa situação trazendo o que a ciência e os especialistas andam dizendo por aí sobre os benefícios que uma vida sexual ativa trazem ao corpo. Confira:

sexo - foto: getty images

1. Alivia as crises de enxaquecas
Quando seu parceiro reclamar, dizendo que não quer sexo porque está com dor de cabeça, reverta a desculpa a favor da saúde dele. Segundo o médico Neucenir Gallani, o orgasmo libera substâncias, como as endorfinas, que atuam no sistema nervoso. "Elas diminuem a sensibilidade à dor, relaxando a musculatura e melhorando o humor", afirma.

2. Melhora o aspecto da pele
Fazer sexo, principalmente no período da manhã, é um poderoso aliado da beleza para manter a juventude. Essa foi a conclusão de um estudo, realizado por cientistas da Universidade Queens (Reino Unido). De acordo com os pesquisadores, atingir o orgasmo aumenta os níveis de estrogênio, testosterona e de outros hormônios ligados ao brilho e a textura da pele e dos cabelos. Além disso, quando há o orgasmo, ocorre uma vasodilatação superficial dos vasos, até aumentando a temperatura em algumas pessoas. Com isso, a pele ganha uma aparência mais viçosa, e o brilho natural dela fica em destaque.

3. Alivia as cólicas da TPM
O ginecologista Neucenir Gallani faz questão de reforçar que isso não é uma regra, mas acontece com algumas mulheres. Os movimentos realizados durante o sexo estimulam os órgãos internos, que ficam mais relaxados e, com isso, há diminuição das dores que incomodam seu bem-estar nos dias antes da menstruação. "Mas há mulheres que, na fase pré-menstrual, não têm disposição para o sexo e forçar a barra pode ser pior", diz o ginecologista.

4. Melhora o sono
O relaxamento que o orgasmo traz contribui para que você durma melhor, e não apenas no dias em que houver sexo. A reação tem efeito prolongado, devido a ação dos neurotransmissores que passam a agir no seu organismo com mais regularidade e numa quantidade maior.

casal dormindo - foto: getty images

5. Diminui o estresse
O médico faz questão de ressaltar que o orgasmo não deve ser encarado como um remédio calmante, mas como parte de uma relação afetiva que traz prazer. Quando isso acontece, os níveis de estresse tendem a diminuir não só pela estabilidade emocional, mas também porque os chamados hormônios do estresse, como o cortisol, apresentam atividade reduzida. Quem trouxe essa novidade foi um estudo escocês recém-publicado na revista Biological Psychology.

6. Diminui os riscos de infarto
Um estudo da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, realizado com mais de 3 mil homens de 45 a 59 anos, concluiu, após 20 anos, que o sexo frequente pode reduzir o risco de infartos fatais e de derrames. De acordo com as conclusões da pesquisa, a morte súbita causada por problemas de coração é mais comum entre homens que afirmam ter níveis baixos ou moderados de atividade sexual.

7. Queima calorias
Segundo a Associação Americana de Educadores e Terapeutas Sexuais, a atividade sexual pode ser um ótimo exercício para o corpo. Isso porque meia hora de sexo queimam, em média, 85 calorias. Portanto, se você está sem paciência para ir à academia, que tal optar pelo plano B?

8. Aumenta a imunidade
Um estudo feito pela Wilkes University, nos Estados Unidos, mostrou que uma vida sexual ativa aumenta os níveis de um anticorpo conhecido como IgA , responsável pela proteção do organismo de infecções, gripes e resfriados.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Eu e Você!!!

Eu e você!!!Eu e você...e não precisa de mais nada,nem mais um sinal,nem mais perguntas...Eu e você...basta para nos sentirmos felizes.O mundo inteiropoderia parar e aplaudir: Eu e você,pois tudo pára quando estamos juntos...Quando estamos juntos nos amando...tudo se encaixa perfeitamente,os nossos gostos, as nossas músicas, enfim os nossos gostares são os mesmos.Nada mais importa no momento que estamos juntos...basta: Eu e você! Você e Eu...para escrever uma história,para saber o porquêde tanta alegria, contentamento e sorrisos...Eu e você... não tem explicação, mas tudo fica perfeito...tudo fica completo, cheio de muita ternura, carinho e emoção!!!As notas musicais da canção ficamfáceis para se aprender...para se tocar em um instrumento...chamado coração! E tudo isso com muita Paixão!!!Tudo é lindo e maravilhosoquando se diz:Eu e Você!!! Poesia feita pela minha pessoa.Vânia Marques.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Saber Viver...

Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina

domingo, 18 de abril de 2010

A atração às vezes pode levar ao amor de algum predador

Hoje, ao acordar, era ainda muito cedo. Abri um lado da janela e me deparei com um céu muito azul, sem uma nuvem sequer. O vento, cortante como uma lâmina, atingiu meu rosto. Foi quando vi, pela fresta da persiana, um passarinho, talvez um pardal, a ciscar feliz de um lado para o outro: ele saltitava, revoava no mesmo lugar, parecia dançar sobre a grama alta do jardim, bicando de lá e de cá, numa curiosa coreografia, própria dos pequenos pássaros.

Absorta em meus pensamentos, fiquei ali, não sei por quanto tempo, até que percebi, no imenso silêncio que se fazia e na imobilidade da cena, algo de errado: uma paradeira estranha, um suspense, um terrível aviso - a ave se mantinha completamente parada sobre a grama verde. Abri mais a persiana e vi um enorme gato (ou seria uma gata), de longos pelos negros, macios e brilhantes, com os olhos imensos, verdes como a grama, as pupilas finas e pontiagudas como suas próprias unhas. Mas parecia uma longelínea estátua egípcia do que um animal de verdade. O passarinho o fitava bem nos olhos, duas esmeraldas perdidas num céu noturno, sem estrelas.

A ave parecia hipnotizada e ia se aproximando do felino aos poucos, perigosamente, numa estranha e indefinível atração, como que capturada por aqueles olhos, por aqueles pelos brilhando ao sol. Nenhum dos dois se mexia. O vento parou de soprar, as folhas não mais balançavam, fazendo com que a cena, no contorno da janela, parecesse um retrato, que ficaria ali, imóvel para sempre. Só as penas da ave pareciam tremelicar de êxtase, de resposta positiva ao apelo invisível do animal à sua frente.

De repente, sem aviso, o gato deu um rápido salto e abocanhou o passarinho. Apenas um pulo certeiro e a ave se abandonou às suas unhas, sem nenhuma tentativa de fuga, sem dar um pio ou sequer experimentar bater as asas. Simplesmente se deixou ir, sem reação ou defesa, como se estivesse esperando por isso, desde o início do encontro. Sendo arrastado pelo bichano, parecia estar cumprindo seu destino. Então, eles desapareceram do meu campo de visão, e a natureza se recompôs, com seus sons e suas cores. Mais tarde, ao sair de casa, encontrei as pequenas asas e as vísceras do pássaro num canto do jardim.

Quantos de nós ja passamos, ou ainda passaremos, por uma experiência dessa natureza, não é possível imaginar. A atração, o amor que alguém nos desperta, pode se expressar de maneira tão absoluta, tão absurda, que acabamos por nos comportar como o passarinho da cena. São sentimentos incontroláveis que, tomando conta das nossas ações, fazem com que a noção de perigo desapareça, e nos entregamos felizes à destruição que o ser amado nos reserva.

Impossível se defender. Impossível não ir de encontro a essa doce e destruidora experiência, que acaba por ser responsável por tantas vidas prejudicadas, por tantos lares desfeitos e corações partidos. Escapar, usar mecanismos próprios para defesa, se mostra inoperante. Como pequenos pássaros, nos entregamos ao amor de algum predador, que só espera uma oportunidade para desenvolver seus instintos de envolvimento, destruição e fuga. E dá-lhe calmantes, psicoterapias, visitas a magos e videntes, que podem até melhorar o aspecto geral da dor, mas a decepção, a angústia do engano continuam por muito tempo, talvez para sempre.

E o gato, o gato devorador e envolvente. Provavelmente, estará de volta ao jardim, talvez mesmo amanhã, para atrair outro passarinho ingênuo.

domingo, 11 de abril de 2010

O nível de testosterona aumenta quando o homem sente o cheiro de uma mulher em período fértil.

iu na Revista Galileu uma pesquisa que afirma: O nível de testosterona aumenta quando o homem sente o cheiro de uma mulher em período fértil.

Os pesquisadores: “Selecionaram quatro voluntárias, entre 18 e 19 anos, que não usavam contraceptivos e com ciclo menstrual regular. Cada uma delas vestiu uma camiseta por três dias, em diferentes períodos do ciclo menstrual. Essas camisetas e outras que nunca haviam sido usadas, foram levadas para serem cheiradas por 37 homens, entre 18 e 23 anos.”

Qual a conclusão da pesquisa?

“Depois de sentir o cheiro de cada camiseta, os níveis do hormônio testosterona de cada homem foram medidos. E o estudo mostrou que neste aspecto estamos muito próximos dos animais: aqueles que cheiraram as roupas de mulheres em período fértil tinham níveis muito mais elevados de testosterona do que os que sentiram o odor de camisetas limpas ou de mulheres fora do período de ovulação.”

Então perfume é só mais um produto de consumo? O que agrada mesmo é nosso ‘cheiro natural’?

Li outro texto interessante que afirma: “Outra das modificações humanas foi a perda de sentidos aguçados, como, por exemplo, o olfato. As mulheres, quando estavam em seu período fértil, liberavam um odor específico que os homens podiam sentir. Porém, algumas mulheres, se sentiam assediadas por alguns homens e passaram a camuflar seu odor natural, utilizando ervas e outras plantas em seu corpo, assim, os homens, como não se utilizavam mais desse sentido, perderam essa precisão. Hoje ainda existem resquícios, pois, algumas vezes, quando uma mulher mexe ou balança os cabelos, que junto com as mãos são pontos do feromônio, os homens, inconscientemente sentem uma presença, que, antes, se fazia mais forte.”

sábado, 16 de janeiro de 2010

TEXTO ESCRITO PELO MEU ESPOSO JOÃO BATISTA DE FARIA SOBRE A TRAGÉDIA NO HAITI...

João Batista (16/01/2010 - 21:48)Na minha simples opinião, não devemos no assustar com as cenas de corpos amontoados na tragédia do Haití, não conseguimos entender os mistérios de Deus,mas para Deus o corpo é apenas uma casca, uma capa, o que importa para Deus é o que está por dentro, a alma. Do pó viemos, ao pó retornaremos, não importa como retornaremos ao pó, se enterrados, jogados no rio, cremados em fogueiras como fazem em países da Asia, uma caisa é certa, devemos orar a Deus para dar conforto espiritual a todas aquelas familias no Haití e do resto do mundo que sofrem por terem perdido entes queridos. Apenas um comentário, tá na hora da humanidade para de adorar deuses que nada falam, nada veem, nada fazem, não podem fazer o mal, tão pouco o bem, vamos orar a Deus e em nome do nosso SENHOR JESUS CRISTO pedir PAZ E PROTEÇÃO.

HAITI...

HAITI...Não há em ti beleza, há em ti escuridão e morte, tremor de terra, terror e medo. Há em ti a impotência, há em ti o espólio, na instigante ganância dos negociantes de gentes. Há em ti a intriga,o racismo do raciocínio inferior do homem branco. Há em ti o clamor pela paz ,pelo dissipar da discórdia entre irmãos. Há em ti mãos ensangüentadas,na guerra e no mistério demonizado de teus ritos. Há em ti a sensação de desespero e o grito lancinante diante de tanta humilhação. Em ti há inversão de valores; e os que te devem te devoram deveras. Há em ti, Haiti o que há em mim, e em teus escombros escondo a vergonha de nunca ter chorado por ti.