domingo, 15 de agosto de 2010

QUEM ESTÁ NO CONTROLE? EU ou O OUTRO?

Talvez a pior presença na vida seja o outro! Se não houvesse o outro não teríamos consciência da gente. O outro contrasta conosco e começamos a perceber a nossa individualidade! Como diz uma das sentenças da Psicanálise: "O outro me revela".
Uma mensagem que traz um misto de nulidade e sarcasmo é a de que o outro é quem está mais na nossa cabeça que nós mesmos! E isto nem sempre condiz com a realidade. É a concepção da nossa mente... e, de repente, o centro não é mais eu... é o OUTRO...
O medo do outro é aprendido - é colocado pela nossa cultura - vai sendo lenta, mas, inexoravelmente, impregnado em nossa estrutura psicológica - vamos entrando na jogada dos outros para eles não “machucarem” a gente.
E, como não somos uma sociedade preparada para a verdade, para o confronto, fomos condicionados a temer, a nos segurar para "não pegar mal"... Como você vai se soltar se tem todo mundo te olhando pronto pra te mandar uma flechada, uma crítica? A sociedade impõe o que é "normal" e ai de v0cê se não se encaixar! Muitos que leem este texto se acham no direito de alguma forma punir quem não fizer conforme os padrões convencionais... Aprendemos desde muito cedo a não se mostrar... até a negar/mentir se possível for!
Muito do que as pessoas fazem ou deixam de fazer, por detrás, HÁ MEDO!!! No íntimo, dizem: "vou fazer ou deixar de fazer para os outros me aplaudirem ou para os outros não me acabarem"... Tememos o outro e suas críticas!!!
É até interessante salientar que uma das máximas da Psicologia é: a gente só critica o que a gente tem como defeito. Estamos insatisfeitos com a gente, aí metemos o pau nos outros e isso nos dá a falsa impressão de que estamos fazendo algo por alguém... Inclusive nos sentimos superiores quando metemos o pau nos outros. É uma sensação orgasmática-ejaculativa: uma delícia!!!
Só que, “com quem ferro fere…”
E porque a crítica, o criticismo dos outros é ou parece tão perigoso para nós?
Pode ser que se refira à VERDADE mesmo; pode ser o fato de não sermos bons o bastante... mas, creio que o principal motivo é O DESEJO DE SER APROVADO PELO OUTRO - Isso é o que importa: Esperar a aceitação e a aprovação do outro.... Esperar que o outro supra a nossa necessidade de aprovação... Portanto, escolhemos o outro como responsável pelas nossas necessidades... COMO SOMOS DOMINADOS PELO OUTRO!!!
E é um paradoxo horrível: Quanto mais eu busco a aprovação dos outros, mais exposto eu fico às suas flechadas - torno-me um ser vulnerável, fragilizado! E quando estou assim vulnerável, o que é que eu vou fazer? Resposta: O que fizemos desde criança - tentar seduzir os outros! Fazemos personagens, atuações, malabarismos sociais...
Se eu sou dependente e estou no perigo de ser rejeitado por alguém, eu vou fazer alguma coisa para não ser rejeitado! Vou me comportar de uma forma que vai seduzir o outro e fazê-lo ficar legalzinho comigo... Com isso, eu me defendo...
Neste particular, quais as armas muito utilizadas para a defesa? Cito duas:
1 - CHANTAGEM - a pessoa se faz de boazinha (inclusive as pessoas que usam isso são muito usáveis) tem que agradar sempre, não pode dizer não, tem que sempre ceder...
O chantagista, especialmente se está numa posição de liderança, ameaça revelar coisas ou informações, ou ainda, não dar a oportunidade que a pessoa tanto quer, a não ser que o(a) ameaçado(a) cumpra as exigências feitas. E só existe um chantagista quando há um generoso que vive dominado pelo sentimento de culpa e, portanto, é conivente com a atitude do outro. Aqui, nesse ponto, vai até uma dica: Para identificar se você é vítima de alguma chantagem, fique atento à sensação que ela causou: se de cobrança ou de culpa.
Há pessoas hábeis em manipular usando esse artifício. São aquelas com uma sensibilidade aguçada, que conseguem identificar os pontos fracos dos outros com facilidade. Então elas, para conseguir o que querem, se utilizam desses pontos fracos, manipulando. E a vítima se sente impelida a fazer o que se pede, pois não quer se sentir culpada ou cobrada.
2 - AUTOVITIMIZAÇÃO - A autovitimização é cômoda e agradável. A pessoa que se vitimiza, localiza-se num espaço imaginário que lhe confere automaticamente "a razão" e as considerações incondicionais de outras pessoas.
A vítima não quer assumir as responsabilidades. Na verdade, NÃO ser a vítima já nos tira da condição privilegiada da proteção do outro, criando uma série de questões para que o outro faça uma coisa por nós, nos proteja, etc. Já vi caras chegarem com o braço enfaixado no trabalho (mas não quebrou nada não!) - apenas um malabarismo da autovitimização para safar-se - proteção contra uma condenação, uma punição, um comentário maldoso ou infame do colega que ameaça a "credibilidade"... Vi a essência desse espírito se manifestar centenas de vezes nos templos religiosos!
Os líderes eclesiásticos fazem as pessoas trabalharem para eles - é só colocar um pouco de culpa! E a consciência das massas diz a elas: "Vai lá e faz o que o cara quer - seja um bom cristão!"A autopreservação é muito forte!
E tem gente que ainda diz: “Eu não ligo para os outros”. Só que isso é o que pintam na tela do seu enganoso coração - não é o ato cotidiano! A realidade é que se importam SIM!!!
E, aí, as primeiras necessidades não são as nossas - são as dos outros. E O PROBLEMA É QUE ESTES OUTROS SÃO MANIPULADORES...
Portanto, minha conclusão é:
Só conseguimos ser autênticos quando estamos seguros em nós e não nos outros - nesse caso, a segurança está garantida de uma forma diferente! Se eu me aprovo e estou seguro em minha aprovação, já não preciso mais do reconhecimento do outro me segurando na sua onda - o que o outro faz, ou diz, ou olha, ou critica já não tem mais um peso aprisionante para mim, não me afeta porque eu tenho a mim mesmo como o mais importante!!! Portanto, não preciso mais da cobrança, da vergonha e nem da culpa.
Não é isso um aspecto maravilhoso da liberdade em Cristo?
JCX

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